Bancários querem mais contratações, fim das demissões e da precarização

27.06.2022

Comando Nacional propõe maior equilíbrio entre dias trabalhados, com momentos de descanso e lazer, com redução da jornada para quatro dias; proposta pode aumentar produtividade e satisfação com o emprego O Comando Nacional dos Bancários se reuniu na manhã desta segunda-feira (27) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na segunda reunião de negociação da […]

Comando Nacional propõe maior equilíbrio entre dias trabalhados, com momentos de descanso e lazer, com redução da jornada para quatro dias; proposta pode aumentar produtividade e satisfação com o emprego

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu na manhã desta segunda-feira (27) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na segunda reunião de negociação da Campanha Nacional 2022 da categoria após a entrega da minuta de reivindicações.

Entre as pautas negociadas estão a garantia dos empregos, o fim da terceirização, que tem se ampliado no setor bancário, a preparação dos trabalhadores para as mudanças tecnológicas e a redução da jornada de trabalho para quatro dias.

Desde 2013 houve uma redução de 77 mil postos de trabalho na categoria bancária, como consequência, entre outras coisas, da introdução de novas tecnologias, fechamento das agências bancárias e mudança das exigências no perfil do trabalhadores e das agências.

De acordo com os bancos as mudanças ocorreram em função do aumento da concorrência, mas entre 2013 e 2021, mesmo com o surgimento de novos concorrentes, os bancos não perderam participação de mercado, ao contrário, houve aumento de 86% para 87% na participação nas operações de crédito. As instituições não bancárias de crédito (onde estão algumas fintechs) saíram de 0,7% para 0,9% de participação, ou seja, um aumento irrelevante. Mesmo as cooperativas com todo crescimento que tiveram saíram de 2% de participação no crédito para 6%.

Lucros exorbitantes

Nos últimos 10 anos, o lucro dos bancos cresceu 15% acima da inflação. Em 2021, os cinco maiores bancos do país (Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 107,7 bilhões, 34,1% maior do que no ano anterior. No primeiro trimestre de 2022, o montante somou R$ 27,6 bilhões, 17,5% maior do que no mesmo período do ano passado.

“Com crise ou sem crise os bancos sempre estiveram muito bem. A sociedade se sente subtraída e quer sua parte. Os trabalhadores bancários também querem a sua parte”, disse a representante da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb-SP/MS), Ana Stela.

Pioneirismo da categoria

O pioneirismo da categoria foi enfatizado durante a negociação sobre o tema da redução da jornada de trabalho para quatro dias na semana.  O Comando Nacional intensificou o pedido e argumentou ressaltando a necessidade de incluir os bancários na apropriação dos benefícios trazidos pelas novas tecnologias. “A tecnologia ajuda a aumentar a produção do trabalho, mas deixa o trabalhador mais tempo disponível. Por isso entendemos que reduzir a jornada para quatro dias, proporcionando um dia a mais para o descanso e lazer, reverterão positivamente para os bancos à medida que o adoecimento e níveis de estresse diminuem e o equilíbrio entre trabalho e satisfação aumentam”, destaca Reginaldo Breda, secretário geral da Federação dos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Terceirização

O Comando Nacional dos Bancários também ressaltou a necessidade de se discutir a requalificação dos trabalhadores para que possam assumir novas funções de acordo com as inovações tecnológicas, que foram introduzidas na sociedade e no setor bancário, assim como a redução de número de postos de trabalho bancário, não do setor financeiro, devido à terceirização, com migração de bancários para o setor financeiro, em empregos precarizados, com representação diferente e menos direitos.

“Mesmo com lucros altos os bancos continuam querendo mais rentabilidade à custa do emprego. Vamos lutar pela garantia do trabalho e dos direitos”, explica Reginaldo Breda, secretário geral da Federação dos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Continuidade das negociações

A comissão de negociação da Fenaban vai levar as propostas apresentadas pelos Comando para negociação com os bancos. Ao final das negociações será apresentada uma proposta global, com todos os temas em negociação. Veja abaixo o calendário de negociações.

Calendário de negociações:

Quarta-feira, 6 de julho: Cláusulas sociais e segurança bancária
Sexta-feira, 22 de julho: Cláusulas sociais e teletrabalho
Quinta-feira, 28 de julho: Igualdade de oportunidades
Segunda-feira, 1 de agosto: Saúde e condições de trabalho
Quarta-feira, 3 de agosto: Cláusulas econômicas
Quinta-feira, 11 de agosto: Continuação das cláusulas econômicas

*Outras sete datas (15, 18, 19, 20, 22, 23 e 24/8), definidas na primeira reunião, estão com temas em aberto, para que haja possibilidade de remanejamento e ajuste dos temas.

Com informações Contraf Cut e edições Feeb SP;MS

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