
Na Cidade de Deus, como é conhecida a sede do Bradesco, em Osasco, um projeto que está sendo gestado há mais de um ano deve chegar ao mercado até o fim de 2016: uma nova operação bancária, totalmente digital, voltada ao público jovem. Segundo apurou o ‘Estado’, a iniciativa – que deve ter a marca Next, já usada pela instituição em espaços conceito em shopping centers e em algumas páginas de sua versão online – será a forma de o Bradesco rejuvenescer sua marca e, ao mesmo tempo, lutar contra startups da área financeira, chamadas de fintechs, que vêm tirando clientes dos bancos tradicionais.
Segundo uma fonte a par do assunto, cerca de 150 profissionais estão envolvidos na criação do novo banco, que será focado nos chamados millennials, justamente o público mais refratário à oferta “engessada” do setor bancário. A ideia seria atender a pessoas de renda limitada, que têm dificuldade para chegar ao fim do mês com o próprio salário. Por isso, uma das apostas será o conteúdo educativo, focado em sonhos do público jovem, como comprar um carro ou fazer uma viagem.
O projeto, que já foi apresentado aos principais executivos do banco, está sendo tocado por Maurício Minas, um dos vice-presidentes da instituição. Segundo apurou o Estado, o investimento no projeto até agora seria na ordem de R$ 120 milhões. A nova operação, dizem fontes, está sendo desenvolvida com o auxílio de assessores externos, como a R/GA, agência de publicidade focada em tecnologia que, nos Estados Unidos, ajudou a criar a pulseira de monitoramento de exercícios físicos Nike Fuel Band.
Assim como ocorre na Cidade de Deus, em que uma equipe separada cuida do novo projeto, a ideia é que o banco online não cite o Bradesco em sua comunicação. “Os planos, até agora, são de que os cartões tragam a marca Bradesco no verso, o que deverá ajudar o usuário a se sentir mais seguro sobre onde está colocando seu dinheiro”, disse uma fonte.
Os caixas eletrônicos da rede Bradesco também serão usados para apoiar a operação digital. A reportagem apurou também que alguns espaços físicos – como quiosques em shopping centers – poderão ser montados para divulgar o conceito do banco digital para o público-alvo.
O Next – caso a marca permaneça – vai oferecer uma linha completa de serviços financeiros, com conta-corrente, investimentos e cartão de crédito. Em comparação às fintechs já existentes, será mais parecida com o Neon do que com o NuBank, já que este último ainda está focado somente em cartões de crédito. Outro concorrente da nova operação é o Banco Original, lançado no primeiro semestre pelo grupo J&F, dono da Friboi.
Tendência. A entrada de instituições como o Bradesco no segmento online, na visão de Pedro Waengertner, presidente da aceleradora de startups Ace (antiga Acelera Tech), é uma resposta natural à evolução das fintechs. “Hoje é possível conseguir empréstimo no varejo e emitir cartões sem um banco tradicional, como faz o NuBank”, explica o especialista.
O presidente da Ace diz ainda que novas soluções estão ameaçando o “status quo” em vários segmentos. Ele cita o exemplo do WeChat, versão chinesa do WhatsApp que vai muito além da troca de mensagens. “Dentro deste aplicativo, dá para fazer de tudo, desde pedir um táxi até encomendar uma pizza.”
Para Rodrigo Dantas, fundador da fintech Vindi, especializada em intermediação de pagamentos, é vital que as instituições tradicionais montem equipes separadas, com outros objetivos, ao embarcar em projetos digitais. “No caso do Bradesco, ajuda muito o fato de eles terem dinheiro para investir em mídia, algo que as startups não têm, além da base de caixas eletrônicos.”
Procurado pelo Estado, o Bradesco afirmou que preferia não dar entrevista sobre o projeto neste momento.
Fonte: Estadão
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