CEBB negocia com o banco cláusulas econômicas e representação sindical

12.08.2022

Ao término da negociação, bancários leram manifesto pela democracia Bancários do Banco do Brasil se reuniram nesta sexta-feira (12) com o banco para mais uma negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2022, que tem por objetivo a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos trabalhadores do Banco do Brasil e do aditivo à […]

Ao término da negociação, bancários leram manifesto pela democracia

Bancários do Banco do Brasil se reuniram nesta sexta-feira (12) com o banco para mais uma negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2022, que tem por objetivo a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos trabalhadores do Banco do Brasil e do aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

Dentre as principais reivindicações feitas pela representação dos funcionários na mesa sobre Cláusulas Econômicas estão: reversão dos impactos do programa “Performa”; extinção e redução da comissão de caixa de trabalhadores que foram realocados em outras área;  e a  readequação da ajuda de custo em resposta às demandas por transporte de caixas que atendem agências em mais de duas cidades.

“Trouxemos à mesa de cláusulas econômicas questões sobre planos de cargos e carreiras, que há muito reivindicamos soluções, como a distorção causada pelo Performa na carreira do Mérito”, explica a representante da Federação dos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Elisa Ferreira.

De acordo com a representante, o banco manteve uma postura passiva diante das discussões. “O banco responde passivamente que está estudando a situação. Esperávamos uma postura mais assertiva na mesa de hoje para chegarmos a um acordo”, explica.

Respostas às reivindicações

Sobre a decisão unilateral de extinguir a comissão de caixas, promovida também por um programa de reestruturação do banco, o movimento sindical ressaltou a liminar alcançada em fevereiro de 2021, na Justiça do Trabalho em Brasília. O documento proíbe, desde então, o banco de reduzir ou retirar gratificações dos caixas e obriga a instituição a manter a gratificação de caixas que atuavam na função há mais de 10 anos. A liminar tem validade até o trânsito em julgado da ação na Justiça.

Durante a reunião, a representação dos trabalhadores reforçou o pedido para que o banco deixe sua parte na ação e mantenha as gratificações. De acordo com os trabalhadores, existem situações em que funcionários de caixa são realocados para outros departamentos e param de receber a comissão típica da função.

Com relação a este assunto, o banco negou o descumprimento da liminar e solicitou aos representantes que transmitam os casos denunciados para serem investigados.

Sobre a reivindicação de ajuda para deslocamento, a representação cobrou a garantia do ressarcimento integral das despesas com o translado. Em resposta o banco insistiu que o cumprimento da atual instrução normativa sobre o tema já é suficiente.

“Insistimos que a ajuda de custo do banco é insuficiente para o caso dos caixas que estão no sistema PSO. Há cidades em que o esquema de transporte tem horários diferenciados, obrigando o trabalhador a buscar alternativas mais caras de translado”, argumenta Elisa.

Com relação ao impacto do programa Performa sobre a carreira de mérito, o banco admitiu que existem situações “que extrapolam” e que há uma área gestora cuidando dos casos levados pelos sindicatos.

Outras reivindicações

Outros pontos relativos ao tema Cláusulas Econômicas foram discutidos, entre eles:

  • Alcance da promoção da carreira de mérito aos egressos dos bancos incorporados;
  • Pagamento de horas extras e não banco de horas;
  • Adiantamento de 50% do 13º salário em fevereiro, com possibilidade da parcela ser solicitada nas férias iniciadas em janeiro e fevereiro;
  • Adicional de insalubridade em caso de risco de vida;
  • Vale cultura no valor de R$ 217,12 (duzentos e dezessete reais e doze centavos), a ser corrigido pelo percentual que corresponde à reposição da inflação.

Manifesto à Democracia

Ao término da negociação, os representantes dos trabalhadores leram o manifesto à democracia. O documento foi redigido em resposta às críticas do presidente do BB, Fausto Ribeiro, sobre a adesão de setores da sociedade, incluindo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) à cartas em defesa do Estado Democrático de Direito. Durante entrevista coletiva, o presidente da instituição alegou que o BB mantem uma posição “neutra” enquanto as entidades que apoiam os manifestos agem de forma “política”.

Em resposta, representantes dos trabalhadores defenderam que a assinatura do documento pela democracia não marca posição a favor de um partido político ou candidato. A representação reforçou também, que a postura do presidente do BB sim, demonstra conotação política ao se posicionar contra atos democráticos.

Confira na íntegra o Manifesto pela democracia BB.

Lucro recorde

Nesta semana o banco divulgou o lucro líquido ajustado do primeiro semestre de 2022, sendo de R$ 14,4 bi. O número representa alta de 44,9% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre de 2022 o resultado foi de R$ 7,80 bilhões, crescimento de 18,0% frente ao trimestre imediatamente anterior e de 54,8% em relação ao mesmo trimestre de 2021. O BB ainda revisou suas projeções para 2022, de uma variação entre R$ 23 bilhões e R$ 26 bilhões para uma faixa entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões.

Os dados foram divulgados na última quarta-feira (10). De acordo com o banco “o resultado foi influenciado pelo aumento da margem financeira bruta, pela diversificação das receitas com serviços e disciplina na gestão de despesas”.

O retorno sobre patrimônio líquido (PRSP) do segundo trimestre chegou a 20,6%, “com crescimento consistente que já nos posiciona no patamar de nossos pares privados”, escreveu o banco em nota oficial.

Conforme análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o total de clientes (correntistas, poupadores e beneficiários do INSS) cresceu 4,9 milhões em 12 meses, totalizando cerca de 80,2 milhões atendidos por um total de 86.313 empregados.

“Na mesma semana em que o banco divulga lucro recorde ele não traz avanços na mesa de negociação. O que mostra que os funcionários não são prioridade para a instituição”, destaca Elisa.

Próximas negociações

16/08 (terça-feira) 9h – Pauta do Banco e Negociações;

17/08 (quarta feira) 14h – Pauta Cláusulas Sociais.

 

 

 

 

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