Em cinco anos, conjunto de tarifas bancárias fica até 36% mais caro, diz Idec

19.08.2013

RIO – Entre 2008 e 2013, o conjunto das principais tarifas bancárias ficou até 36% mais caro nos seis maiores bancos do Brasil. É o que aponta um levantamento do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), obtido com exclusividade pelo GLOBO. A entidade comparou preços dos dez serviços considerados mais comuns e constatou que, apesar […]

RIO – Entre 2008 e 2013, o conjunto das principais tarifas bancárias ficou até 36% mais caro nos seis maiores bancos do Brasil. É o que aponta um levantamento do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), obtido com exclusividade pelo GLOBO. A entidade comparou preços dos dez serviços considerados mais comuns e constatou que, apesar de a maioria das tarifas terem sofrido cortes de até 50%, o avanço em outros serviços chega a 83%, causando o aumento acima da inflação medida pelo IPCA para o período, que acumulou alta de 32,34%.

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Segundo a pesquisa, dos 60 preços analisados, 35 ficaram mais baratos. Em média, cada banco reduziu seis tarifas do pacote de dez serviços criados pelo Idec. Ainda assim, a média de aumento chegou a 23,5%. Para Ione Amorim, economista do Idec responsável pela pesquisa, há uma tentativa de compensação dos bancos em relação aos cortes nos preços do ano passado, causados por determinação do governo federal aos bancos públicos. Segundo a especialista, as instituições abriram mão de uma receita, mas tendem a recompor as perdas aumentando excessivamente outras taxas.

— As reduções apresentadas nas tarifas foram compensadas, principalmente nos serviços que são ligados às ofertas de crédito, como o adiantamento a depositante. São tarifas que têm um peso muito grande no bolso do consumidor — destaca Ione Amorim, economista do Idec responsável pelo estudo, que comparou preços dos bancos Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú, HSBC e Santander.

A chamada concessão de adiantamento a depositante é o item que mais desequilibra os preços da cesta montada pelo Idec. A taxa, que chega a R$ 51,80 no Santander, é cobrada quando o banco precisa cobrir débitos do cliente quando a conta fica sem fundos. A maior variação desse serviço foi observada no Bradesco, onde o preço cobrado passou de R$ 24, em 2008, para R$ 43,90, em 2013: aumento de 83%. Com a alta, o pacote criado pelo Idec ficou 36% mais caro — maior variação registrada —, mesmo com duas das dez tarifas tendo sofrido cortes de mais de 30%.

Bancos negam compensação

Os bancos discordam da metodologia aplicada pelo Idec, destacando que a regulação para cobrança de adiantamento a depositante mudou em 2010. Anteriormente, a taxa era cobrada cada vez que o cliente estourasse o limite. Com a nova determinação do Banco Central, em vigor desde 2011, a tarifa só pode ser cobrada uma vez por mês, mesmo que a concessão de crédito seja necessária mais de uma vez nesse período.

As instituições também negaram estar compensando as reduções do ano passado. O diretor de empréstimos e financiamento do BB, Edmar Casalatina, destacou que a estratégia do banco é compensar os cortes com a fidelização dos clientes. O executivo também destacou que a instituição chegou a ter perdas de 6,3% na receita de conta corrente no primeiro semestre de 2013, mesmo tendo lucro recorde.

— Reduzimos tarifas de conta corrente e, em contrapartida, buscamos trabalhar mais com esse cliente. Trabalhar mais com o que ele consome. Essa renda vem de cartão de crédito, de administração de fundo, da fidelização — afirma Casalatina.

Tarifas avulsas são menos vantajosas, afirmam bancos

O Bradesco, que reduziu metade das tarifas selecionadas pela Idec, afirmou que compensa os cortes com a ampliação da base de clientes. O banco também justificou a alta na taxa de adiantamento a depositante, afirmando que esse tipo de operação é “uma anormalidade que exige do banco realizar processos extraordinários, gerando custos operacionais crescentes”.

Já o HSBC destacou que as tarifas não são fixas, podendo variar de acordo com a reciprocidade entre o banco e o cliente e destacou que mantém uma tabela de serviços disponível para consulta.

Os bancos também afirmaram que, na maioria dos casos, as tarifas avulsas são menos vantajosas que os pacotes bancários. O Itaú, que reajustou quatro tarifas em, no mínimo, 47%, afirmou que os “pacotes disponibilizam franquias de serviços de forma que o cliente que contrata um de nossos pacotes só irá pagar as tarifas avulsas se ultrapassar a quantidade de serviços disponível no mês na franquia do pacote”.

O Santander também recomendou a adoção dos pacotes bancários, conforme a necessidade dos clientes.

“Atualmente, o banco oferece doze opções de pacotes de serviços e orienta os clientes na escolha do mais adequado a sua realidade financeira”, afirmou o banco, em nota.

Em comunicado, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que a diversidade de ofertas é favorável ao mercado: “A definição de preços dos serviços obedece a estratégias de relacionamento com cliente. A diversidade de ofertas e de novos pacotes é positiva: estimula a concorrência e permite ao consumidor a livre escolha entre contratar um pacote de serviços ou pagar por um serviço de cada vez”

Fonte: O Globo 

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