
A intransigência dos banqueiros levou a greve para seu 9º dia (sexta-feira, 27/09), sem previsão de término. Na Baixada Santista, onde 90% das agências estão paralisadas, uma passeata no Centro de Santos marcou a semana.
A manifestação foi realizada pelo Sindicato dos Bancários de Santos e Região e trabalhadores dos Correios, que também estão em greve em busca de melhores condições de trabalho. Em torno de 250 pessoas participaram do ato, que contou com paradas em uma agência dos correios, uma do Bradesco e terminou na frente da Prefeitura de Santos.
Durante o trajeto, os manifestantes alertaram mais uma vez a população sobre as razões das paralisações. Além da luta por reajuste salarial, os sindicalistas ressaltaram a necessidade de combater o assédio moral e falta de segurança para os funcionários das duas categorias. Uma das falas foi da secretária geral do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Eneida Koury. Ela lembrou dos governantes que não atendem os anseios do povo e depois, na hora da eleição, vão até a população só em busca de votos.
Um exemplo da falta de compromisso com o trabalhador brasileiro é o Projeto de Lei (PL) 4330, que tramita no Congresso Nacional. Chamado de PL das terceirizações. Se for aprovado, ele causará a perda de direitos e redução de salário para milhões de pessoas.
"Se o PL virar lei, significa o fim do trabalho organizado no Brasil. É preciso que todos lutem contra o PL, que só interessa ao empresariado", resumiu o presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Ricardo Saraiva, o Big.
DIEESE
Segundo estudos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), quem trabalha em firmas terceirizadas: – Recebe salário 27% menor que o contratado direto; – Tem jornada semanal de 3 horas a mais; – Permanece 2,6 anos a menos no emprego do que um trabalhador contratado diretamente; – A rotatividade é maior – 44,9% entre os terceirizados, contra 22% dos diretamente contratados; – A cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre os trabalhadores terceirizados. O número de óbitos no local de ofício é cinco vezes maior do que entre os contratados diretos, nos setores petrolífero e elétrico.
As reivindicações dos bancários
> Reajuste salarial de 11,93%.
> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.
> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).
> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas e do assédio moral que adoece os bancários.
> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.
Em relação ao reajuste salarial, os banqueiros ofereceram apenas 6,1%, valor que sequer cobre a inflação do período. Por outro lado, eles lucraram 30 bilhões de reais apenas no primeiro semestre desse ano. Dinheiro conseguido aumentando tarifas e forçando os funcionários a empurrar serviços para os clientes.
Fonte: Imprensa do Sindicato dos Bancários de Santos
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