
A bancarização, acesso dos clientes de baixa renda ao sistema financeiro, é o caminho escolhidos pelos bancos brasileiros, a chave de seus novos negócios, responde o professor de economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa, à indagação presente no tema da segunda etapa do Ciclo de Debates 60 anos – Para onde caminham os bancos? -, realizada ontem (15) na sede do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região. Segundo ele, “o acesso popular ao sistema de pagamento com moeda bancária só se viabilizou pelo avanço tecnológico da indústria bancária brasileira”.
Para o professor de economia, “os grandes bancos brasileiros colaram suas estratégias comerciais aos rumos recentes do país”. Aliás, essa é a grande lição da história bancária brasileira, segundo Fernando Nogueira da Costa. Os bancos que focaram na elite branca perderam o bonde da história brasileira; caso dos bancos estrangeiros que aqui aportaram. O professor da Unicamp disse também que, se o século 20 foi de conquistas sociais, o século 21 será de conquista de direitos econômicos (renda mínima, aposentadoria, acesso ao sistema financeiro, etc.).
Precarização
A bancarização, caminho escolhido estrategicamente pelos bancos, segundo a técnica do Dieese, Regina Camargos, que também participou da segunda etapa do Ciclo, pode ser benéfica para a população brasileira, mas representa hoje retrocesso para os trabalhadores bancários. O outro lado da moeda chamada inclusão financeira mostra que os bancos optaram em promover a bancarização pela porta dos fundos. “Bancarização significa, neste momento histórico, precarização do trabalho bancário”, destaca a técnica do Dieese. Segundo ela, a bancarização poupa emprego porque se processa via internet, mobile banking (banco por celular) e correspondente bancário. Na opinião de Regina Camargos, o correspondente bancário além de não seguir a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária, gerando assim um posto de trabalho de segunda classe, não respeita a legislação sobre segurança. Em outros termos, a bancarização é uma ameaça ao emprego do bancário e à vida de clientes e funcionários. A técnica do Dieese, no que se refere ao emprego, disse também que a partir de 2012, depois de uma fase de crescimento, os bancos iniciaram uma política de fechamento de postos de trabalho. “Os bancos privados fazem ajustes, demitem mesmo; o Banco do Brasil estagnou; na contramão está a Caixa Federal, que vive uma fase ainda de contratação”. Miguel Pereira, secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, anunciado como um dos debatedores, não pode participar por motivos particulares. A segunda etapa do Ciclo reuniu várias pessoas, entre dirigentes sindicais e bancários.
Fonte: Sindicato dos Bancários de Campinas
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