Bancos têm capacidade para contratar muito mais, diz economista do Dieese

20.07.2012

Rede de Comunicação dos Bancários Flávia Silveira A 13ª Pesquisa de Emprego Bancário apresentada aos trabalhadores reunidos na 14ª Conferência Nacional da categoria comprova: os bancos podem e devem contratar mais. O estudo foi realizado pela Contraf-CUT e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos dados do Cadastro Geral de […]

Rede de Comunicação dos Bancários
Flávia Silveira

A 13ª Pesquisa de Emprego Bancário apresentada aos trabalhadores reunidos na 14ª Conferência Nacional da categoria comprova: os bancos podem e devem contratar mais. O estudo foi realizado pela Contraf-CUT e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Durante sua exposição no Painel de Emprego da Conferência, o técnico do Dieese Nelson Karam reforçou a preocupação crescente com a qualidade do emprego. "Boa parte das campanhas salariais acabam se pautando pela reposição salarial. É claro que isso continua sendo importante, mas agora vemos maior discussão sobre outras questões, como saúde e condições de trabalho e também a questão da qualidade do emprego", afirmou.

De acordo com a pesquisa, nos últimos anos houve expansão na contratação bancária. Se no início dos anos 1990 eram cerca de 730 mil bancários no país e ao final da década o número caiu para 392 mil, a partir do ano 2000 os empregos voltaram a crescer. Em 2012, a categoria bancária é formada por 508 mil trabalhadores, crescimento de 29% em relação ao final da década de 1990.

Karam ressaltou que, no entanto, esse aumento está muito aquém da capacidade do setor. "Em 2004, os cinco maiores bancos atuantes no Brasil lucraram R$ 18 bilhões. Já em 2011, este lucro pulou para mais de R$ 50 bilhões. A expansão do lucro é muito maior do que o aumento das contratações."

Os dados de 2012 mostram que a geração de emprego diminuiu neste ano em relação aos últimos dois anos. No primeiro trimestre de 2012, foram criados cerca de 1.100 postos, o que significa queda de 83% em comparação com a geração de empregos formais no setor, nos últimos anos.

A pesquisa também aponta que há concentração de novas vagas nesses cinco maiores bancos que atuam no Brasil, principalmente na região Sudeste, onde estão 61% dos trabalhadores bancários.

Alta rotatividade

Karam destacou a importância de outros dados: aqueles que indicam diminuição no tempo que os bancários mantêm-se no emprego. Em 1995, 46% dos empregados possuíam mais de 10 anos de casa. Em 2010, o percentual passou para apenas 26%. "Isso mostra a alta rotatividade no setor, que tem atingido especialmente os funcionários com mais tempo de banco e, portanto, com salários maiores", explicou.

A estratégia da rotatividade para diminuição de gastos fica muito clara no setor bancário. "Se compararmos o salário, um bancário contratado chega a receber até 38% menos do que o que ocupava o mesmo cargo anteriormente. É uma média muito superior à dos outros setores, que fica em 7%", afirmou o técnico do Dieese.

Terceirização

Segundo Nelson Karam, o aumento expressivo de correspondentes bancários contribui com a precarização do emprego. No início do ano 2000, o número de correspondentes era inexpressivo. Em 2010 já eram quase 158 mil e agora, em 2012, já são mais de 300 mil. "São trabalhadores que não possuem representação formal, com direitos limitados", acentuou.

Jornada

Apesar de ser uma conquista histórica da categoria bancária, a jornada de seis horas diárias, na prática, é amplamente desrespeitada. Metade dos bancários já trabalha entre 31 horas e 40 horas por semana. Em 1995, esse número era de 31%. "Por isso a importância da luta pela redução da jornada, bastante forte no movimento sindical bancário. Temos de lembrar que não é apenas a extensão da jornada, mas também a intensificação, porque o ritmo de trabalho é cada vez mais forte", salientou Nelson Karam.

Mulheres

Em 1995, a participação da mulher no setor bancário era de 42%. Em 2010, o número aumentou para 48%. No entanto, a desigualdade salarial se acentuou nesse período. Em 1995, a diferença salarial entre homens e mulheres era de 21%. Já em 2010, as mulheres passaram a ganhar em média 24% menos que os homens, exercendo as mesmas funções.

Entre as que foram desligadas, a diferença é ainda maior. A média salarial das bancárias demitidas chega a ser 29% inferior à dos bancários.

Faixa etária e escolaridade

O estudo também nota mudança na faixa etária da categoria nos últimos anos. Houve crescimento no número de bancários na faixa de 40 a 49 anos, de 22% em 1995 para 27% em 2010. E o perfil de escolaridade também mudou: atualmente, 69% dos trabalhadores do setor possuem formação superior completa. Em 1995, apenas 21% chegava ao nível superior.  

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