BB e Bradesco negociam compra de fatia do Citi em credenciadora de cartão

11.01.2016

O Banco do Brasil e o Bradesco, que já controlam a Cielo, estão em negociação para virarem sócios de mais uma empresa do segmento de adquirência, conhecido popularmente como o 'mercado de maquininhas'. Os dois bancos estariam negociando a participação de 49% que o Citi detém na americana Elavon, empresa que também opera transações de […]

O Banco do Brasil e o Bradesco, que já controlam a Cielo, estão em negociação para virarem sócios de mais uma empresa do segmento de adquirência, conhecido popularmente como o 'mercado de maquininhas'. Os dois bancos estariam negociando a participação de 49% que o Citi detém na americana Elavon, empresa que também opera transações de cartão de crédito e débito nos estabelecimentos comerciais.

Conforme apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, as conversas estariam avançadas e o negócio pode ser anunciado em breve. Uma das opções em estudo é a compra de todo o negócio no País pelos bancos brasileiros.

Mercado de maquininhas movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano no Brasil. Para um executivo do mercado, o interesse pela Elavon pode estar relacionado à possibilidade de os dois bancos oferecerem um serviço mais barato que o da Cielo. Para outra fonte, porém, o negócio só faria sentido se as duas adquirentes fossem integradas.

O Banco do Brasil e o Bradesco instituíram em 2011 uma holding, a Elo Participações, para deter fatias em várias empresas. O BB detém 49,99% da Elo e o Bradesco, 50,01%. Na negociação da Elavon, falta definir que empresa da holding controlaria o novo negócio.

Segundo uma fonte próxima à Elavon, a empresa capturou algo em torno de R$ 2,3 milhões em dezembro, representando 2% do mercado de cartões. A Cielo tem 53% do mercado, que movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano.

O desejo do Citi de se desfazer da fatia na Elavon é antigo. Um executivo lembra que o banco perdeu o interesse na operação em meio à demora do lançamento da empresa no Brasil, que ainda enfrentou problemas operacionais, fazendo com que seus resultados ficassem abaixo do esperado pelo seu sócio. "A Elavon não conseguiu escala e somente com briga de preço não vai conseguir equilibrar o negócio", avalia outro executivo do mercado de cartões.

O Citi nunca admitiu, embora também nunca tenha negado, o interesse de vender a participação na Elavon. "Evidentemente que a companhia busca outros canais de crescimento, mas eu nunca vi por que o Citi teria de sair da Elavon nem por que seria bom para a Elavon a saída do Citi. Não entendo isso", disse Hélio Magalhães, presidente do Citi no Brasil, em recente entrevista ao Broadcast.

A americana chegou ao Brasil em meados de 2011 com uma joint venture entre a Elavon Inc, subsidiária da U.S. Bankcorp, e o Citibank. Como opera de forma interligada com outros países, transacionando suas operações no exterior, quem levar a operação, caso seja a totalidade, ficará apenas com a carteira de clientes.

Adquirir a Elavon é um passo além na estratégia de Bradesco e BB de cercar o mercado de meios de pagamentos. Nos últimos anos, as duas instituições estreitaram suas relações e lançaram várias empresas em sociedade. Recentemente, receberam aval do Banco Central para operar um novo banco com foco na população de baixa renda.

Além disso, são sócios na bandeira de cartões Elo, que conta com participação também da Caixa Econômica Federal; na Alelo, de cartões de benefícios e pré-pagos; na Movera, de microcrédito; na Stelo, de meios eletrônicos de pagamentos; na Livelo, de programa de fidelidade; e na financeira Ibi.

Bradesco, BB, Elavon e Citi não comentaram.

Fonte: Estadão

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