Copom mantém ritmo e leva Selic a 10,5%

16.01.2014

Por Eduardo Campos, Alex Ribeiro, Silvia Rosa e Antonio Perez | De Brasília e São Paulo  Valor Econômico  O Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 10,50% ao ano, diante de um quadro de inflação mais resistente do que o esperado, mas que pode perder força quando o aperto […]

Por Eduardo Campos, Alex Ribeiro, Silvia Rosa e Antonio Perez | De Brasília e São Paulo 
Valor Econômico 

O Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 10,50% ao ano, diante de um quadro de inflação mais resistente do que o esperado, mas que pode perder força quando o aperto monetário feito até agora se transmitir aos preços.

Não há garantia, no entanto, de que a postura adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ontem vá se repetir no encontro de 26 de fevereiro. A condicionalidade da decisão está determinada pelo uso da expressão "neste momento" e pela menção à alta de 0,50 ponto, algo que não ocorre normalmente, pois o comunicado traz apenas a taxa final e não o tamanho do ajuste. Essas foram as adições ao texto apresentado após a reunião: "Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,50% ao ano, sem viés".

A última vez que o Copom lançou mão de tal expressão em suas notas pós-decisão foi em julho de 2012, quanto ainda estava no ciclo de corte de juros. Naquele momento, a Selic estava em 8% e caiu por mais duas vezes, até chegar em 7,25%.

Ao delimitar temporalmente a decisão e destacar o aumento de 0,50 ponto, o colegiado não se compromete com nenhuma estratégia futura, podendo calibrar tanto o passo quanto a duração do ciclo de aperto, conforme o comportamento dos dados e das expectativas em cada reunião.

O economista da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, já esperava uma elevação de 0,5 ponto da Selic nesta reunião. Ele manteve a previsão de mais uma alta de 0,25 ponto no encontro de fevereiro, com o BC só então encerrando o ciclo de aperto monetário. Para ele, o movimento de alta da taxa de câmbio no fim do ano passado e a inflação mais elevada em dezembro fizeram o BC mudar de plano. "A inflação ainda está rodando em nível muito alto e não vemos nenhum sinal de atividade econômica mais fraca", afirma Padovani, que prevê neste ano que a inflação fique acima dos 5,91% observados em 2013.

Tatiana Pinheiro, economista do Santander, espera que a autoridade prossiga com o movimento de alta do juro na próxima reunião, mas talvez em um ritmo menor, com elevação de 0,25 ponto percentual. A economista destaca que a inclusão do trecho "neste momento" no comunicado deixa claro o que o ciclo de aperto monetário estaria próximo do fim. A alta superou a expectativa do Santander, que previa uma elevação de 0,25 ponto da Selic.

Pesa contra o fim do ciclo, o fato de a decisão ter sido unânime, em um comunicado lacônico, o que sugere mais alta da taxa básica, segundo o economista-chefe da gestora de recursos Simplific Pavarini, Alexandre Espírito Santo. "Este BC sempre sinaliza que vai parar de subir os juros com uma divergência na votação. E não foi isso o que se viu."

Segundo avalia, os juros futuros devem iniciar o pregão de hoje na BM&F em alta, impulsionados pela decisão. "O mercado estava dividido entre 0,25 ponto e 0,50 ponto. Muita gente vai comprar a ideia de que o Copom vai continuar com o aperto. Vamos ver uma esticada mais forte dos juros futuros", afirma Espírito Santo, também é professor do Ibmec-RJ. "Além disso, o ressurgimento do rumor sobre o aumento da gasolina, que o governo acabou negando depois, pode dar mais força aos juros futuros."

Mas as opiniões já são divergentes e a ata na semana que vem deve dar pistas mais claras. Para José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, que apostava em alta de 0,25 ponto, as alterações no comunicado do Copom, com a inclusão da expressão "neste momento" e a menção explícita à magnitude da alta, sugerem que o ciclo de aperto monetário já terminou. "Eu acho que essas mudanças revelam a estratégia de dar uma resposta ao curto prazo. O ambiente piorou muito recentemente, com o IPCA de dezembro."

Para esse encontro não existia mesmo consenso entre os agentes de mercado depois de o próprio BC mandar, nas últimas semanas, sinais contraditórios sobre como conduziria a política monetária, ora sinalizando que poderia encerrar logo o ciclo de alta, ora indicando que ainda há trabalho a ser feito. As dúvidas do mercado financeiro sobre qual seria o desfecho desta reunião ganharam corpo com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado, que ficou em 5,91%, acima dos 5,84% de 2012, e superior à meta informal assumida pelo próprio BC, que vinha comunicando que entregaria uma inflação menor em 2013 do que a do ano anterior.

Em nota para comentar o IPCA de 2013, na sexta-feira, o BC disse que a inflação mostrou resistência "ligeiramente acima daquela que se antecipava". E que essa resistência "em grande medida, se deveu à depreciação cambial ocorrida nos últimos semestres, a custos originados no mercado de trabalho, além de recentes pressões no setor de transportes".

Até então, prevalecia entre os especialistas a avaliação de que haveria uma desaceleração no ritmo de aperto monetário, com uma alta de 0,25 ponto, encaminhando para o fim o ciclo de incremento dos juros iniciado em abril de 2013. Tal entendimento foi construído a partir de declarações da própria autoridade monetária, que alterou a linguagem do comunicado apresentado após a decisão da mais recente reunião, de novembro, e chamou atenção, na ata daquele encontro, para os efeitos defasados da alta de juros sobre a inflação.

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