Os dados do Banco Central referentes à primeira semana depois da rodada inicial de corte de juros pelos principais bancos privados do país indicam, de forma preliminar, para queda de 2 a 3 pontos percentuais nos juros médios anuais cobrados de pessoa física, ante a taxa de 44,4% de março, último dado consolidado disponível. Para empresas, a queda deve ficar entre 1,5 e 2 pontos percentuais, em relação aos 27,7% de março.
A comprovação dessa queda, em parte influenciada pela própria redução de 0,75 ponto da taxa Selic no dia 18, depende da manutenção das taxas cobradas na semana de 23 a 27 de abril por seis dos principais bancos de varejo do país – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC. (ver tabela baixo)
Neste momento, governo, bancos, analistas e investidores querem ter noção do impacto real dos cortes de juros iniciados pelos bancos públicos, e logo seguidos pelos rivais privados, desde o início do mês passado.
O governo quer ver cortes elevados, enquanto o mercado teme que juros mais baixos corroam as margens dos bancos, que já lidam com a alta da inadimplência.
Os números até o dia 27 comprovam a percepção de analistas de que os movimentos mais agressivos foram da Caixa Econômica (ver quadro ao lado).
Mas os cortes feitos pelos rivais também afetaram as taxas médias praticadas – e não apenas as mínimas e máximas – em linhas relevantes, embora de forma suave.
O efeito final pode ser maior, dado que, do dia 27 para cá, foram anunciadas novas rodadas de cortes de juros – o Banco do Brasil fez mais três anúncios, o Itaú Unibanco realizou uma baixa adicional na sexta-feira e o Bradesco e o Santander diminuíram os juros novamente ontem (veja mais nesta página).
No primeiro momento, foi possível notar quedas praticamente generalizadas em linhas como crédito pessoal e capital de giro. As baixas ficaram em torno de 0,20 pontos percentuais ao mês, acima do que ocorreria apenas com o repasse da taxa básica Selic menor.
Essas duas linhas respondem por cerca de metade do peso do crédito usado pelo Banco Central como referencial para cálculo das taxas de juros de pessoas físicas e jurídicas, respectivamente.
E houve queda também no financiamento de veículos, no desconto de duplicatas e nas linhas de conta garantida, que também têm pesos relevantes.
No cheque especial, até o dia 27 de abril, o único movimento significativo foi feito pela Caixa, que cortou a taxa de média praticada de 7,76% para 4,12%.
As reduções dos demais bancos nessa linha foram anunciadas mais recentemente e, na maior parte dos casos, dependem de adesão a pacotes de serviços.
Como as quedas nas linhas de pessoa jurídica dependem de mudanças em contratos e foram feitas de forma escalonada, o gerente executivo na diretoria de micro e pequenas empresas do BB, Asclepius Soares, argumenta que as médias do quadro ao lado escondem um movimento sequencial de baixa que vem ocorrendo. De fato, isso ocorre. Da primeira para a terceira semana pós corte, o custo do "capital de giro pré" recuou de 1,62% para 1,43%, e o do desconto de duplicatas teve queda de 1,62% para 1,50%. "Está em tendência clara de redução", diz.
A queda escalonada, no entanto, não apareceu até o dia 27 nas linhas para pessoa física do BB. Marcelo Labuto, diretor de empréstimos e financiamentos do banco, explica que os cortes maiores em cheque especial e crédito pessoal devem ser percebidos a partir da última redução, que passou a valer em 10 de maio. A opção pelo corte de forma faseada, segundo ele, é porque o banco queria sentir a reação do consumidor. "Como ele respondeu, isso motivou e permitiu realização de novos cortes."
Além do BB, os demais bancos não fizeram comentários além dos anúncios de mais cortes. O HSBC disse, em nota, que as taxas dependem do relacionamento com o cliente e variam de acordo com a evolução do mercado.
Metodologia usada nas comparações
Os números oficiais sobre as taxas de juros cobradas em abril só serão divulgados no fim deste mês pelo Banco Central, e mesmo assim não mostrarão o impacto total dos primeiros cortes, porque as reduções foram feitas ao longo do mês e tiveram início em datas diferentes.
Desde o anúncio do primeiro corte pelo BB e pela Caixa, o Valor iniciou um levantamento com os dados divulgados diariamente pelo Banco Central com defasagem de duas semanas.
O BC divulga as taxas médias praticadas por instituição, ponderadas pelo volume, em 24 linhas de crédito, das quais 11 foram monitoradas e oito aparecem no quadro desta matéria. Os dados se referem sempre a intervalos de cinco dias úteis.
As linhas de pessoa física monitoradas foram: cheque especial, crédito pessoal, aquisição veículos e aquisição de bens. Elas representam 88% do saldo de empréstimos para pessoas físicas usados pelo BC como referencial para cálculo de juros e spread. Para pessoas jurídicas, foram consideradas taxas prefixadas de desconto de duplicatas, capital de giro, conta garantida, vendor e aquisição bens. E taxas flutuantes para capital de giro e conta garantida. As linhas representam 77% do crédito referencial para juros.
Como cada banco iniciou os cortes em uma data distinta, tentou-se adequar os intervalos de modo que fosse possível saber a taxa média praticada antes e depois da data de início dos cortes (o que gerou uma sobreposição de dois dias em um dos períodos para os bancos públicos).
Foi usada uma média (essa sem ponderação por volume, que só o Banco Central consegue calcular) entre as médias ponderadas semanais do BC, porque podem existir variações relevantes de uma semana para a outra em determinado banco, independentemente de haver ou não corte ou elevação explícitos das taxas. Exemplo: se uma empresa com nota de risco AAA tomar um volume grande de crédito numa semana isso afeta a média daquele período – sem que tenha havido um movimento efetivo de corte nas taxas. O mesmo ocorre, no sentido inverso, se, em determinada semana, clientes com pior risco de crédito forem predominantes entre os tomadores.
Ainda assim, se a comparação dos bancos privados fosse feita apenas com a semana mediatamente anterior, de 16 a 20 de abril (apenas com os dados do Banco Central, sem média de média), o resultado seria parecido na maior parte dos casos.

Fonte: Valor Econômico
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