Em artigo, Presidente da FEEB-SP/MS, Davi Zaia faz reflexão sobre situação dos trabalhadores neste 1º de maio

30.04.2015

Mais um 1º de Maio marcado pela luta e resistência da classe trabalhadora. Ou: Nunca antes na história deste país um governo “popular” lesou tanto o trabalhador Por Davi Zaia* Nascido mundialmente com o intuito de ser um dia para lembrarmos com mais atenção das questões trabalhistas, das lutas e também para ser um dia […]


Mais um 1º de Maio marcado pela luta e resistência da classe trabalhadora. Ou: Nunca antes na história deste país um governo “popular” lesou tanto o trabalhador

Por Davi Zaia*

Nascido mundialmente com o intuito de ser um dia para lembrarmos com mais atenção das questões trabalhistas, das lutas e também para ser um dia de comemorações pelas conquistas dos trabalhadores, o 1º de Maio é uma data importante para que não se perca de vista as condições de trabalho, uma oportunidade para que em todos os países se realize um exercício interno para avaliar a forma como cada nação vem tratando seus trabalhadores.

No Brasil, neste 1º de Maio de 2015, infelizmente, a classe trabalhadora não tem muito a comemorar. Qualquer que seja o lado que olharmos, esbarramos na falta de compromisso de Dilma e seu governo para com a classe trabalhadora, seja pelo mar de corrupção em que seu partido está envolvido e que não para de ter novos capítulos revelados ao longo da sua gestão – e que parece não ter fim, já que os desdobramentos das investigações da operação lava jato apontam para outros possíveis focos além da Petrobrás, como a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde, o que causa a sensação de que não há neste governo, estatal que não tenha sido apropriada para a realização de esquemas – seja, pela grave crise econômica que estamos enfrentando, fruto da monumental incompetência para gerir o país, resultando neste cenário que só vem piorando desde o ano passado e que conquistou “façanhas” inimagináveis, como a desindustrialização e a volta da inflação que atingiu 8,13% em março e ao que tudo indica, deve aumentar ainda mais até o final do ano. Demissões em massa não apenas no setor automotivo – um dos mais afetados pela equivocada política de concessões do governo – frigoríficos no centro-oeste também começam a fechar as portas e até mesmo o setor de serviços, que vinha contribuindo em boa parte para a salvação do PIB, vem encolhendo sistematicamente diante da recessão. Soma-se a isso também as crises hídrica e energética, que colaboram para encarecer ainda mais o custo de vida no país, penalizando a camada mais vulnerável da população, a classe trabalhadora, que vê seu poder de compra, que já é bastante limitado, diminuir drasticamente corroído pela inflação.

E o trabalhador, que já vem pagando a conta pelos desvios bilionários dos esquemas de corrupção, paga também a conta da crise econômica, sofrendo também com a adoção de um ajuste fiscal tardio, que não apenas deveria ter sido feito antes da situação se agravar, mas que principalmente, deveria começar com o governo dando o exemplo, enxugando a máquina e cortando os próprios gastos, antes mirar os trabalhadores. As famigeradas Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, portadoras destas mudanças prejudiciais aos trabalhadores, que dificultam o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários justamente àqueles que deles mais dependem, ainda aguardam a manifestação do Congresso Nacional, que ainda irá apresentar seu entendimento sobre a legalidade destas medidas que representam um retrocesso nas conquistas da classe trabalhadora.

A situação do país é bastante complicada, principalmente, pelo fato que é conduzido por uma presidente que além de despreparada e leniente com a corrupção, juntamente com seu partido se recusa a fazer uma autocrítica, assumir os próprios erros para enfim, buscar caminhos que possam conduzir o país para fora deste atoleiro em que nos encontramos.

Parafraseando Lula, o grande mentor da presidente: Nunca antes na história deste país um governo que se dizia popular e atuar em prol dos trabalhadores e menos favorecidos, esteve tão descolado das necessidades desta parcela da população e não por acaso, amarga os piores índices de popularidade, comparáveis apenas ao de Collor, próximo de sofrer o impeachment.

O 1º de maio de 2015, companheiros, definitivamente não será um dia para comemorarmos. Será mais um dia marcado pela resistência e luta dos trabalhadores e do movimento sindical, que unidos irão às ruas em todo o país e mostrarão mais uma vez que têm voz e dirão ao governo, como já vêm fazendo, que ele está na contramão dos anseios da sociedade e principalmente, da classe trabalhadora.

*Davi Zaia, Presidente da Federação dos Bancários de SP e MS e deputado estadual (PPS-SP).

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