A greve nacional dos bancários começou bastante forte, com a adesão em massa da categoria. Só na base da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, os trabalhadores resolveram cruzar os braços em mais de 1.700 agências no terceiro dia de paralisação; foram cerca de 1.200 no primeiro dia e mais de 1.500 no segundo, o que demonstra que a participação só vem aumentando.
Estes números evidenciam também a união da categoria, que é uma das mais organizadas do país, e o descontentamento com os banqueiros que de forma desrespeitosa apresentaram como proposta, um pífio reajuste de 5,5%, índice que sequer repõe as perdas inflacionárias e mais um abono de R$ 2,5 mil, valor que não se incorpora ao salário, uma medida de caráter imediatista e que nem de longe pode ser considerada parte de um bom acordo, já que regride a negociação aos níveis de 10 anos atrás, impondo retrocesso às conquistas dos trabalhadores.
A greve é também uma resposta às pressões para o cumprimento de metas abusivas, contra o assédio moral, que tem levado os bancários ao adoecimento e contra a falta de segurança a que ficam expostos.
O engajamento massivo dos bancários na greve representa um recado muito claro de insatisfação com a falta de valorização e de sensibilidade por parte dos empregadores que não percebem que salário decente, que contemple a reposição das perdas é um direito, assim como a paralisação como forma de luta por uma remuneração mais justa e melhores condições de trabalho, também o é.
A greve dos bancários representa uma resposta à altura, reafirmando a força da categoria e honrando seu histórico de resistência e luta para impedir retrocessos e desrespeitos contra os trabalhadores.
*Davi Zaia – Sindicalista, presidente da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB-SP/MS) e Deputado Estadual pelo PPS.
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