Indusval conclui reestruturação

28.02.2014

Por Talita Moreira e Carolina Mandl | Valor Econômico  De São Paulo Três anos depois de atrair novos sócios, o Indusval concluiu uma reestruturação que mudou profundamente seu modelo de negócios. De uma instituição financeira antes focada apenas em crédito para pequenas empresas, o banco passou a direcionar esforços para companhias maiores. Ao mesmo tempo, […]

Por Talita Moreira e Carolina Mandl | Valor Econômico 
De São Paulo

Três anos depois de atrair novos sócios, o Indusval concluiu uma reestruturação que mudou profundamente seu modelo de negócios. De uma instituição financeira antes focada apenas em crédito para pequenas empresas, o banco passou a direcionar esforços para companhias maiores. Ao mesmo tempo, expandiu a atuação para novas áreas, como serviços de assessoria financeira e estruturação de dívida e a recém-criada corretora Guide.

"Saímos da fase do gerúndio. Estamos prontos", afirma Jair Ribeiro, copresidente do BI&P, como foi rebatizado o banco. A melhoria da estrutura do banco já é vista em aspectos como geração e qualidade dos ativos.

Em meio a um ano ainda de reformas, porém, o Indusval fechou 2013 com um prejuízo de R$ 120 milhões, dos quais R$ 10 milhões são do quarto trimestre. Em boa parte, o resultado negativo se deve ao reforço das provisões para créditos de má qualidade, originadas no passado. Esses gastos consumiram R$ 156,2 milhões em 2013, quase três vezes mais do que em 2012. Concluída a reestruturação, daqui para a frente a expectativa é que a última linha da demonstração de resultados reflita as mudanças.

Com o novo perfil, o Indusval planeja atrair um sócio estrangeiro dentro dos próximos dois anos. O banco está particularmente interessado em instituições estrangeiras que querem entrar no Brasil já com uma plataforma montada, como fez o China Construction Bank CCB com o BicBanco.

As mudanças que levaram o Indusval à fase atual foram colocadas em marcha justamente com a entrada de novos investidores. Em março de 2011, Ribeiro, ex-banco Patrimônio, e o fundo de private equity Warburg Pincus investiram R$ 180 milhões e se tornaram acionistas do banco, ao lado de Manoel Félix Cintra Neto, Luiz Masagão e outros. Desde então, foram dados vários passos.

O mais recente deles foi a criação da plataforma de investimentos Guide, no fim do ano passado. A ideia é que a corretora gere receitas de prestação de serviços e contribua com a captação do banco, já que vai distribuir produtos como CDB, Letras de Crédito Imobiliários (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) originados pelo Indusval.

Ao longo do ano passado, a instituição também fez aquisições para reforçar sua presença em algumas áreas. A butique de finanças corporativas Voga, comprada em fevereiro, vai ajudar a sustentar o Indusval com receitas de prestação de serviços de assessoria financeira e banco de investimentos.

A aquisição do banco Intercap, anunciada em junho, teve como objetivo estreitar o relacionamento da instituição no agronegócio e no setor consumo. O Intercap tinha como principais sócios Roberto de Rezende Barbosa (da família da Nova América, sucroalcooleira que foi vendida para a Cosan) e Afonso Antônio Hennel, (da família fundadora da Semp Toshiba), que passaram a ser acionistas do Indusval.

Em outra frente, o banco firmou parceria com a trading Ceagro Agrícola para financiar produtores de soja e milho por meio da aquisição de Cédulas de Produto Rural (CPR). Até o fim do ano passado, o volume de operações estava próximo de R$ 700 milhões.

O banco tem interesse em firmar acordo semelhante no setor imobiliário. "Uma possibilidade é financiar loteadoras, já que não existe linha oficial para esse segmento", afirma Cintra Neto.

Segundo ele, o banco tem a intenção de aumentar o peso desses dois setores nas operações de crédito, refletindo a importância crescente deles na economia e o financiamento insuficiente. A expectativa é que a participação do agronegócio na carteira suba de 23,6% em setembro do ano passado, para 28%. A construção, que representava 8,7% do portfólio, também deve ganhar espaço.

Essas não são as únicas mudanças na carteira de crédito. O Indusval passou a focar suas operações em empresas que identifica como "emergentes" – com faturamento anual entre R$ 80 milhões e R$ 400 milhões, além de grande potencial de crescimento. Também permanecem no radar as companhias de maior porte, com receita anual de até R$ 2 bilhões.

Ao cortar a participação do crédito de perfil mais arriscado, o Indusval tem como objetivo reduzir a inadimplência. O total de créditos com mais de 90 dias de atraso ficou em 1,9% no quarto trimestre, com alta de 0,7 ponto percentual em relação a igual período de 2012, por causa da incorporação do Intercap, mas com queda ante o terceiro trimestre. Para este ano, Ribeiro prevê estabilidade ou até queda no indicador.

Por considerar que já está reformulado, o Indusval voltou a acelerar a produção de crédito. O estoque do banco encerrou dezembro em R$ 3,9 bilhões, com expansão de 15,3% em relação a setembro. Na comparação com dezembro de 2012, o crescimento foi de 26,1%. Mesmo sem considerar a incorporação do Intercap, a alta foi de 9% e 19,2%, respectivamente. Os números levam em consideração os créditos classificados pelo padrão do Banco Central e títulos privados.

"Hoje, a geração de ativos não é mais uma questão problemática no banco", afirma Masagão. Cerca de 90% dos gerentes da área comercial, responsável por originar as operações, foram trocados.

O Indusval tem folga de capital, com 14,8% de capital de nível 1 em dezembro. Só neste ano, o banco quer crescer 20% em ativos. Em dezembro os ativos totais do banco somavam R$ 4,9 bilhões, mas o objetivo da direção do banco é alcançar um porte de R$ 15 bilhões.
 

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