Inflação oficial acelera 0,24% em agosto

06.09.2013

Patamar mais alto do dólar desde abril já causa impactos na cesta de café da manhã, refeições fora de casa e lanches. Trigo e até cerveja sofreram influência Em 12 meses, inflação acumula alta de 6,09%. Leite longa vida e feijão carioca lideram o ranking de impactos do mês RIO — A inflação oficial brasileira, […]

Patamar mais alto do dólar desde abril já causa impactos na cesta de café da manhã, refeições fora de casa e lanches. Trigo e até cerveja sofreram influência

Em 12 meses, inflação acumula alta de 6,09%. Leite longa vida e feijão carioca lideram o ranking de impactos do mês

RIO — A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou para 0,24% em agosto, depois de ter registrado variação apenas 0,03% em julho. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado que, de acordo com último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, esperavam alta de 0,30%.No ano, a taxa medida pelo IBGE está em 3,43%, e no acumulado de 12 meses, chega a 6,09%, dentro do teto da meta do governo, de 6,5%. Nos últimos doze meses até julho, o acumulado havia sido de 6,27%. Em julho, o indicador havia ficado abaixo do teto da meta, depois de dois meses seguidos de estouro do limite.

Um dos destaques para a elevação da inflação foi o grupo Alimentação e bebidas, que saiu da queda de 0,33% de julho e ficou relativamente estável em agosto, indo para 0,01%. De acordo com o IBGE, os alimentos consumidos no domicílio continuaram em queda, embora menos intensa, passando de –0,73% para –0,34%, enquanto a alimentação fora foi de 0,45% para 0,67%.

O leite longa vida (3,75%), mesmo com alta inferior a julho (5,06%), liderou o ranking dos principais impactos do mês, junto com a refeição consumida fora, que foi de 0,21% para 0,76%. O feijão preto também impactou, com alta de 3,74%, depois de já ter registrado variação de 5,58% em julho. Entre os produtos com redução de preço, o maior destaque foi a cebola que, com queda de 22,84% no mês, contribuiu sozinha para uma redução de 0,04% do IPCA.
Os transportes mantiveram a deflação, mas a queda de 0,06% foi menor do que os -0,66% do mês de julho. As tarifas de ônibus urbanos recuaram 0,20%, bem abaixo dos -3,32% de julho. Já o etanol ficou 1,16% mais barato em agosto e a gasolina 0,23%. Os automóveis usados também perderam valor (-0,37%) enquanto os novos tiveram aumento de 0,45%.
— Os dois grandes grupos que tiveram influência para levantar a taxa de agosto para 0,24% foram alimentos e transportes. Dos três grupos negativos em julho, apenas transportes manteve a queda, embora menor. Os alimentos com queda de -0,33% tiveram importante em julho com queda 0,08% e ficaram estáveis em agosto. O vestuário que tinha ficado negativo em -0,39% e foi para 0,08% — diz Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Impacto do câmbio

E pela primeira vez, desde e disparada do dólar, o IBGE indentificou com clareza o impacto do câmbio sobre os preços.

— Nas informações coletadas no mês de agosto a gente percebe claramente a influência do dólar. Por exemplo, na farinha de trigo que passou de 1,33% em julho para 2,68%. E o trigo tem efeito sobre outros produtos importantes, como o pão que foi para 1,56% de alta, totalizando 7,75% no ano. Com isso, o café da manhã em restaurante subiu 1,53%. O lanche e a refeição fora de casa também refletem a alta do dólar. A própria cerveja (alta de 0,56%) sofre influência do dólar — diz a técnica do IBGE.

Segundo Eulina, no caso do trigo, há também problema de safra, tanto no Brasil por causa da geada, como na Argentina e nos EUA, onde houve problema no milho e estão usando mais trigo.
No caso do leite, ela aponta problema de safra, nas pastagens por causa do frio, aumento da demanda também por causa de longos períodos de baixa temperatura e o fato de os produtores estarem corrigindo preços que, segundo eles, estavam defasados.
Energia é principal fator para segurar inflação do ano
No ano, o item que mais está contribuindo para conter a inflação é a energia elétrica residencial. Com queda de 17,08% de janeiro a agosto ajudou em 0,57 ponto percentual o IPCA, que está em 3,43% no período. Foi a maior influência negativa individual e mais que o triplo d segunda, que foram passagens aéreas, com impacto de 0,18 ponto percentual. Na composição total do IPCA, a energia elétrica tem peso de 2,66 ponto percentual.

— A energia teve um papel importante, sendo o principal impacto para baixo, mas outros itens tiveram contribuição por não terem aumentado, como os ônibus e a gasolina — explicou Eulina Nunes.

Já as maiores pressões de alta vieram do aluguel (0,33 ponto percentual), empregado doméstico (0,30) e refeição fora de casa (0,30).
O setor de serviços teve variação de 0,60% em agosto, bem próximo dos 0,60% de julho, mas em 12 meses acumula alta de 8,60%, bem acima do 6,09% da inflação. Os principais destaques positivos no mês foram aluguel residencial (0,74%), condomínio (0,92%) e serviços de mudanças (2,73%) e clubes (3,20%), mas estes dois últimos têm peso menor da taxa.
Também em alta, os artigos de residência apresentaram o maior resultado entre os grupos, com 0,89%, após ter registrado 0,28% em julho, informa o instituto. Destaque para os itens eletrodomésticos (de 0,13% em julho para 1,43% em agosto), mobiliário(de 0,22% para 1,22%) e consertos de equipamentos domésticos (de –0,11% para 1,16%). Em saúde e cuidados pessoais, que subiu de 0,34% em julho para 0,45% em agosto, destacaram-se os serviços médicos e dentários, que foram de 0,67% para 1,37%.

O grupo educação, que havia apresentado 0,11% de variação em julho, subiu para 0,67%. Os cursos regulares tiveram variação de 0,56%, enquanto os cursos diversos (informática, idioma, etc.) apresentaram alta de 1,71%.
Eulina explicou que, em julho, os transportes tiveram impacto negativo de -0,13 ponto percentual na formação do IPCA e os alimentos, -0,08. Já em agosto, os alimentos tiveram impacto zero e os transportes de apenas 0,01 ponto percentual. Assim, o fim da contribuição negativa de 0,20 ponto percentual dos alimentos e transportes basicamente explica o aumento de 0,21 ponto percentual na inflação de agosto, em comparação com a de julho.

Entre os produtos não alimentícios, as maiores influências vieram dos planos de saúde com, 0,94%, por conta do aumento 9,04% autorizado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) no fim de julho, seguido de aluguéis (0,74%), recreação (0,80% ) e empregada doméstica, que subiu 0,53%, mas desacelerou em relação aos 1,45% de julho. Em termos nominais, a maior alta foi registrada pelos eletrodomésticos, outro item que reflete alta do dólar.

Domar a alta dos preços tem sido uma das prioridades da equipe econômica este ano. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 8,5% para 9%, parte da estratégia para controlar a inflação. Em ata divulgada na quinta-feira, o BC justificou a decisão de aumentar os juros e afirmou que a política monetária deve se manter “especialmente vigilante”, para evitar uma pressão inflacionária nos próximos 12 meses.

INPC variou 0,16% em agosto

Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,16% em agosto, acima do resultado de julho (–0,13%). A variação no ano está em 3,33%, abaixo da taxa de 3,46% relativa a igual período de 2012. Já nos últimos 12 meses, o índicese situa em 6,07%, abaixo dos 6,38% dos 12 meses imediatamente anteriores.

Em agosto de 2012 o INPC havia ficado em 0,45%. Os produtos alimentícios caíram 0,14% em agosto, enquanto os não alimentícios ficaram em 0,29%. Em julho, os resultados foram -0,40% e -0,01%, respectivamente.

Produção industrial recua em 9 dos 14 locais pesquisados em julho

Na passagem de junho para julho de 2013, os índices regionais da produção industrial registraram taxas negativas em 9 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, acompanhando a redução no ritmo da produção nacional, na série ajustada sazonalmente.

São Paulo (-4,1%), parque industrial mais diversificado do país, e Pernambuco (-2,3%) assinalaram as quedas mais acentuadas nesse mês. Santa Catarina (-1,1%), Amazonas (-0,9%), Espírito Santo (-0,9%), Minas Gerais (-0,7%), Rio Grande do Sul (-0,4%), Região Nordeste (-0,3%) e Rio de Janeiro (-0,1%) completaram o conjunto de locais com taxas negativas, mas que foram menos intensas do que a média nacional (-2,0%).

Por outro lado, Pará, com crescimento de 3,0%, mostrou o avanço mais intenso nesse mês. Os demais resultados positivos foram observados no Paraná (1,9%), Ceará (1,5%), Goiás (1,3%) e Bahia (0,5%).

Fonte: O Globo

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