Lucro do HSBC bate expectativas

05.12.2020

Por Steve Slater e Sarah White | Reuters, de Londres O HSBC superou as expectativas dos investidores com um lucro ajustado antes de impostos de US$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano, num momento em que o maior banco da Europa presenciou uma recuperação das operações de banco de investimentos, o crescimento na Ásia e […]

Por Steve Slater e Sarah White | Reuters, de Londres

O HSBC superou as expectativas dos investidores com um lucro ajustado antes de impostos de US$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano, num momento em que o maior banco da Europa presenciou uma recuperação das operações de banco de investimentos, o crescimento na Ásia e uma queda no volume dos empréstimos não quitados nos Estados Unidos.

O HSBC afirmou ontem que está fazendo bons avanços em sua reformulação estratégica, que inclui economia de custos, e que fechou 14 mil postos de trabalho desde o ano passado, como parte da investida pelo aumento da lucratividade promovida por seu principal executivo, Stuart Gulliver.

"Estamos satisfeitos que as medidas estão sob nosso controle e que temos obtido um bom progresso com elas", disse Gulliver em reunião com a imprensa ontem. Ele destacou Hong Kong, o restante da região da Ásia-Pacífico e a América Latina como áreas que estão dando demonstração desse benefício, com receitas que cresceram, respectivamente, 16%, 18% e 7% em relação ao primeiro trimestre de 2011. Além disso, destacou os sólidos desempenhos das divisões de banco comercial e banco de investimentos do grupo, chamadas Global Banking and Markets.

O HSBC, que realiza mais de 75% de seus lucros fora da Europa e da América do Norte, se recuperou mais solidamente da crise financeira de 2008 do que muitos de seus concorrentes, ajudado por sua presença em mercados emergentes de crescimento mais acelerado.

No entanto, a instituição se defronta com as mesmas pressões de ordem regulatória que seus concorrentes pela redução dos riscos, bem como com a volatilidade dos mercados financeiros. As incertezas de ordem política e regulatória continuam a criar "empecilhos significativos" nas economias desenvolvidas, disse o banco. Em contraste, a economia da China deverá ter um pouso suave e as economias dos mercados emergentes deverão ostentar um crescimento de mais de 5% neste ano, previu a instituição financeira.

Gulliver está saindo de áreas em que falta escala ao HSBC e intensificando seu foco na Ásia. Ele fornecerá uma atualização mais detalhada sobre estratégia num "dia do investidor" marcado para o próximo dia 17.

Os gastos do banco subiram no intervalo de doze meses para US$ 10,4 bilhões devido à alta dos bônus no banco de investimentos e à inflação dos salários em determinadas regiões, como a Ásia, mas os custos subjacentes como percentual da receita melhoraram dos 58,7% de um ano atrás para 55,5%. Gulliver quer fazer com que esse nível baixe para menos de 52%, o que, segundo alguns analistas, poderá ser tarefa difícil.

A instituição pretende também elevar o retorno sobre o patrimônio para mais de 12% até o fim de 2013. O retorno sobre o patrimônio, indicador fundamental da lucratividade, ficou em 6,4%, embora em termos ajustados tenha ficado mais próximo de 11%. "Estamos confiantes de que poderemos alcançar um retorno sobre o patrimônio de 12% a 15%, e não vamos mudá-la [a meta]", disse Gulliver.

O HSBC informou que o lucro ajustado do primeiro trimestre subiu 25%, para US$ 6,8 bilhões, comparativamente à previsão de US$ 5,8 bilhões. Contando-se o ônus de US$ 2,6 bilhões decorrente da oscilação do valor de seus próprios títulos, o lucro oficial do HSBC foi de US$ 4,3 bilhões. As ações do HSBC chegaram a subir mais de 1%, acima de 560 centavos de libra esterlina, durante o pregão, registrando desempenho bem melhor que o computado pelo índice de bancos da Europa.

A instituição juntou-se aos concorrentes ao elevar suas provisões pela venda mal sucedida de seguro de proteção a pagamentos no Reino Unido, assumindo mais US$ 468 milhões em provisões. O banco agora fez uma reserva de 745 milhões de libras esterlinas (US$ 1,2 bilhão).

Gulliver, porém, disse que esse valor pode não ser suficiente. "O volume de pedidos de indenização aumentou muito significativamente em relação à nossa suposição original. Não posso dizer se essa é a provisão definitiva, duvido que seja, podemos achar que teremos de reforçá-la novamente."

A receita da divisão Global Banking and Markets ficou em US$ 5,8 bilhões, 11% maior que a do mesmo período de 2011. A receita de taxas e cambial revelou-se especialmente sólida, e abril foi satisfatório, disse Gulliver.

As perdas com empréstimos não quitados no trimestre totalizaram US$ 2,4 bilhões, em grande medida inalteradas em relação ao mesmo período do ano passado, mas melhoraram nos Estados Unidos devido ao aprimoramento das tendências na área de arresto de imóveis por falta de pagamento e de depreciações, onde o banco está reduzindo sua carteira de empréstimos ao consumidor.

Na América Latina, o lucro antes de impostos do HSBC alcançou US$ 604 milhões no primeiro trimestre, valor 11% superior ao registrado em igual período do ano passado. Em comunicado, o HSBC ressaltou que o resultado do banco poderia ter sido melhor se os efeitos do câmbio fossem eliminados. Em 12 meses, o real, por exemplo, valorizou-se 6,2%.

O HSBC ponderou, entretanto, que houve "uma queda no balanço de empréstimos na América Latina, principalmente no Brasil, já que a atividade econômica desacelerou, a competição aumentou e políticas mais conservadoras de crédito foram adotadas". O banco também foi afetado pelo aumento das provisões para créditos no Brasil, que na América Latina somaram US$ 231 milhões.

Em relação aos custos, o banco disse que conseguiu uma redução de gastos de US$ 60 milhões na região. Também cortou 3 mil postos de trabalho. "As economias permitiram investimentos em iniciativas estratégicas, principalmente no Brasil e na Argentina, onde continuamos a crescer organicamente nossas atividades."

(Colaborou Carolina Mandl | Valor)

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