O presidente é novo, mas as promessas são as mesmas. No primeiro encontro com a imprensa brasileira do espanhol Jesús Zabalza, desde 12 de junho no comando do Santander Brasil, as grandes metas assinaladas foram praticamente idênticas às de seu antecessor, o também espanhol Marcial Portela, que ainda não se concretizaram.
Zabalza afirmou ontem que, em três anos, vai levar o banco a uma participação de mais de 10% no mercado bancário local. Hoje, segundo ele, o banco tem entre 8% e 9%. Em dezembro de 2011 Portela traçou, em entrevista ao Valor, objetivo bem semelhante. Disse que a meta do Santander "seria nos próximos quatro, cinco anos ter dois pontos percentuais a mais" em participação de mercado. E que, à época, o banco estava pouco abaixo dos 10%.
É justamente sair desse ritmo moroso de crescimento o grande desafio de Zabalza, que planeja uma estadia "permanente" na função. "Só tenho um mandato a cumprir no Brasil: crescer, e de forma rentável", disse ele no luxuoso Hotel Real, vizinho da secular e monumental propriedade da família de Emílio Botín, presidente do conselho de administração do Santander, na cidade homônima do banco.
Zabalza vai precisar tornar o banco mais afinado com o que entregam seus concorrentes. Promete, para os mesmos três anos, apresentar uma rentabilidade mais atraente – e mais em linha com a de seus principais rivais, Itaú Unibanco e Bradesco. A taxa de inadimplência do banco, diz ele, também irá cair, convergindo para níveis mais próximos dos pares nacionais.
No primeiro trimestre, por exemplo, a inadimplência do banco espanhol, foi de 4,9%, com alta de 0,6 ponto percentual em doze meses. Tanto Itaú como o Bradesco trouxeram redução no indicador de calotes no mesmo período. Os três, porém, mostraram redução de spreads. "Minha visão para o sistema financeiro brasileiro é que os spreads vão continuar caindo no médio prazo", afirmou o executivo, a despeito do atual ciclo de aperto monetário no país.
No caso do Santander, a migração para linhas de crédito com menor risco vai colaborar para compressão de margens do banco. A estratégia para compensar a perda é concentrar o maior número de operações de clientes no banco, não só crédito, mas também gestão de fluxo de caixa, pagamento e recebimento de salário, seguros, entre outros. "Os clientes que consideramos 'vinculados' ao banco têm taxas de inadimplência que são metade ou um terço daquelas dos clientes com quem temos apenas o crédito", afirmou.
Por segmentos de empréstimos, o foco do Santander estará em crédito imobiliário, consignado (com desconto em folha de pagamento), repasses de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e crédito rural.
O financiamento a pequenas e médias empresas, em boa parte associado à operação de captura de transações com cartão no varejo do banco, também vai ter papel de destaque. Zabalza prometeu que a carteira na modalidade, que está em R$ 34 bilhões, crescerá pelo menos 1,5 vez o que avançar o crédito ao setor privado como um todo. Em três anos, pelas contas do banco, poderia chegar a R$ 54 bilhões e um milhão de clientes, ante os 670 mil atuais.
A estratégia passa ainda pela abertura de novas agências, mas Zabalza não divulga números. A única pista que dá é que a ideia é crescer em grandes polos de desenvolvimento do agronegócio, que visitou recentemente no Centro-Oeste, e cidades do Nordeste, como Recife.
No Brasil, a agenda recente de Zabalza incluiu encontros com o presidente do BC, Alexandre Tombini, e Guilherme Afif, ministro da micro e pequena empresa. Embora apenas arranhe algumas frases em português, Zabalza se esforça para se mostrar à vontade com a cultura brasileira. "Para quem vai a torcida na final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha?", perguntaram os jornalistas. "Torço um tempo para cada", prometeu Zabalza.
Fonte: Valor
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