O ano em que a Caixa foi além da caderneta de poupança

20.12.2012

Por Flavia Lima | De São Paulo É verdade que a poupança teve um ano excepcional, com captação de nada menos que R$ 40,5 bilhões até novembro. Em 2012, porém, a Caixa Econômica Federal, instituição que costuma ser mais associada à tradicional caderneta, apostou em uma estratégia agressiva também em outros produtos de investimento voltados […]

Por Flavia Lima | De São Paulo

É verdade que a poupança teve um ano excepcional, com captação de nada menos que R$ 40,5 bilhões até novembro. Em 2012, porém, a Caixa Econômica Federal, instituição que costuma ser mais associada à tradicional caderneta, apostou em uma estratégia agressiva também em outros produtos de investimento voltados para o investidor individual. Liderou um movimento de redução de taxas de administração e de aplicação mínima dos seus fundos voltados ao varejo, lançou quase 20 carteiras e também ganhou uma concorrência para entrar pesado no mercado de fundos de índices negociados em bolsa, os Exchange Traded Funds (ETFs, como são mais conhecidos).

Até aqui, a Caixa vem colhendo frutos da estratégia adotada para os fundos. No ano, até novembro, o banco havia captado R$ 28,05 bilhões – contra apenas R$ 9,55 bilhões recebidos em igual período do ano passado. Só entre os fundos de varejo, a captação chegou a R$ 9,6 bilhões. Já no campo dos ETFs, até agora, como comentou o consultor Marcelo d'Agosto no post sobre o assunto no blog "O Consultor Financeiro", no portal Valor, o "XBOV11" ainda "não pegou".

A expectativa, no entanto, é captar R$ 1,5 bilhão até meados de 2013 – o que supera em muito o patrimônio dos fundos passivos da casa, que reúnem cerca de R$ 241 milhões. "Acho que o futuro realmente está em ETF", diz o vice-presidente de ativos de terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos. A diferença entre as taxas cobradas entre os produtos pode justificar as previsões do executivo. Enquanto o ETF tem taxa de administração de 0,5% ao ano, os fundos de ações indexados da casa têm taxa entre 1,3% e 1,6%.

Mas, segundo Vasconcelos, o investidor não vai querer apenas índice. Se a acessibilidade conduziu essa primeira etapa de mudanças, a sofisticação deve dar o tom daqui para frente. Para 2013, o foco serão os fundos imobiliários e fundos em que a participação de ativos privados será crescente ou quase exclusiva. "Acho que tem um caminho a ser aberto para o investidor de médio porte que são os fundos de infraestrutura com benefício tributário para a pessoa física."

Vasconcelos lembra que a redução da Selic da casa dos 12% para os atuais 7,25% aconteceu em um período muito curto de tempo, coexistindo com uma demanda ainda grande por bens materiais, ou pela própria casa própria. "Mas acho que o investimento pensando na aquisição de um bem de maior valor, na aposentadoria ou em fazer reserva para a educação dos filhos vem ocupando cada vez mais espaço no orçamento familiar."

Segundo Vasconcelos, a ficha ainda não caiu totalmente e um sinal disso seria, por exemplo, a forte captação da poupança após a alteração de suas regras, mesmo entre os investidores com maior poder de fogo. "O mercado está passando por um período de entender o que está acontecendo, tanto entre ofertantes quanto entre investidores da indústria de fundos", afirma.

Para o executivo, aplicadores mais sofisticados devem se adaptar mais rapidamente ao novo cenário. Outros, mesmo com muitos recursos, mas sem compreensão maior da complexidade do mercado, vão levar um pouco mais de tempo. "Nesse cenário, entendemos que quem sair na frente [entre os gestores] vai conseguir posicionamento", diz. "Queremos ser a vanguarda na indústria de fundos desse novo momento da economia brasileira."

Para Vasconcelos, mesmo o investidor de pequeno porte vai começar a entender a necessidade de distribuir seus recursos de maneira mais diversificada. "Em um ano, isso vai ser mais perceptível", afirma, ao ressaltar que o sucesso dos fundos imobiliários nos últimos tempos é um sinal disso.

"Há três anos, para o investidor médio era tradicional ter DI, renda fixa e uma parcela menor na renda variável, basicamente Ibovespa, Petrobras e Vale", diz Vasconcelos. "Hoje, observamos diversificação maior na renda variável. Tanto que esses fundos setoriais [small ou mid caps] tem apresentado boa captação ao longo de 2012". Para ele, o período é, sem dúvida, de reeducação financeira.

É assim que o terceiro maior banco em crédito quer ser também o terceiro maior na gestão de ativos. A meta é ambiciosa. No total, o patrimônio em fundos, de R$ 154,5 bilhões em outubro, ainda está bem abaixo do terceiro colocado – o Bradesco, com R$ 281,7 bilhões, segundo a Anbima. Ao longo deste ano, o banco lançou 17 fundos com taxas ou aplicações mínimas mais competitivas, de um total de 78 fundos direcionados ao investidor de menor porte. Entre os fundos antigos, 11 tiveram redução de taxa de administração e 23 fundos tiveram queda no valor de aplicação mínima inicial – que hoje vai de R$ 10 a R$ 50 mil.

Segundo ele, a taxa média entre os fundos de renda fixa é hoje de 0,8% ao ano e, na renda variável, ela fica um pouco acima de 1,5% ao ano. Mas existem fundos mais simples na prateleira do banco, como os atrelados ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), com taxa entre 1% e 1,5%? "Tem", responde Vasconcelos, para logo depois contemporizar. "De toda a família de fundos DI, desconfio que existam fundos com taxa acima de 1%. Mas neste caso são fundos que oferecem algum adicional para cliente, [como sorteio]".

Fonte: Valor Econômico

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