Poupança capta R$ 4 bi no início de maio, valor recorde para o mês

05.12.2020

Números divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central mostram que a caderneta de poupança registrou uma captação líquida (depósitos menos retiradas) de R$ 4,05 bilhões no começo de maio, entre os dias 1º e 8 deste mês (cinco dias úteis). A maior parte da captação líquida parcial de maio (R$ 2,25 bilhões), segundo o BC, […]

Números divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central mostram que a caderneta de poupança registrou uma captação líquida (depósitos menos retiradas) de R$ 4,05 bilhões no começo de maio, entre os dias 1º e 8 deste mês (cinco dias úteis).

A maior parte da captação líquida parcial de maio (R$ 2,25 bilhões), segundo o BC, aconteceu após as alterações na regra de remuneração da poupança. A regra antiga, que assegurava um rendimento mínimo de 6,17% ao ano mais a variação da taxa referencial, valeu até 3 de maio.

Os R$ 4,05 bilhões captados no mês são o maior valor desde setembro de 2011 (+R$ 4,17 bilhões). Caso o resultado se mantenha nestes patamares, também baterá recorde para meses de maio. Até o momento, a maior captação líquida da poupança em maio foi registrada em 2010 (+R$ 2,12 bilhões). A série histórica do BC da poupança tem início em 1995.

O histórico da poupança mostra, porém, que há grandes variações durante o mês. É comum haver um ingresso líquido forte em um dia, por exemplo, com retirada grande em outro dia do mesmo período.

Em abril, os depósitos superaram as retiradas em R$ 1,97 bilhão em abril – o melhor resultado para um mês de abril desde 2007 (R$ 2,04 bilhões), e o segundo maior de toda a série histórica do BC, que tem início em 1995.

Mudança
Desde 4 de maio, a remuneração da caderneta de poupança está atrelada aos juros básicos da economia brasileira. A decisão do governo é de que a poupança passe a render 70% da taxa Selic, que é fixada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, mais a variação da Taxa Referencial (TR). A regra será aplicada somente quando os juros básicos recuarem para 8,5% ao ano, ou abaixo disso. A modalidade continuará isenta do Imposto de Renda (IR).

Depósitos na poupança
Os números do Banco Central mostram que, apesar da mudança das regras de remuneração da caderneta de poupança, que vai baixar o rendimento da modalidade quando os juros atingirem 8,5% ao ano, o que pode acontecer já no fim deste mês, os poupadores continuaram fazendo aplicações na caderneta de poupança.
Os depósitos somaram R$ 7,02 bilhões em 2 de maio e outros R$ 5,39 bilhões na quinta-feira da semana retrasada (3 de maio, o último dia de validade da regra antiga), uma média de R$ 6,21 bilhões por dia útil nos dois primeiros dias úteis deste mês.

De 4 de maio em diante, os depósitos feitos na caderneta de poupança já têm rendimento calculado com base nas novas regras anunciadas pelo governo. Nos dias 4, 7 e 8 de maio, ainda segundo números da autoridade monetária, os depósitos somaram R$ 5,86 bilhões, R$ 7,22 bilhões e R$ 5,99 bilhões – uma média de R$ 6,36 bilhões por dia útil.

Rentabilidade da poupança antiga e das novas aplicações
Estudo da Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) informa que, com estas alterações feitas nas regras da poupança, as contas antigas da poupança (depósitos feitos até 3 de maio) passarão, com a provável queda dos juros nos próximos meses, a ter um "retorno financeiro maior", seja sobre a nova poupança ou sobre os fundos de investimentos que cobram imposto de renda e taxa de administração, e esta vantagem será maior quando maior for a queda da taxa básica de juros.
No caso das aplicações feitas a partir das última sexta-feira (4), já abrangidas pelas novas regras da poupança, a Anefac avaliou que, mesmo com a alteração das normas, que baixará o rendimento da poupança em caso de queda na taxa Selic, a modalidade continuará se destacando frente aos fundos de renda fixa por não ser taxada com Imposto de Renda e não ter taxa de administração.

"Quanto à rentabilidade das novas poupanças, mesmo com as alterações feitas, que vão provocar uma redução em sua rentabilidade se comparadas às contas antigas, mesmo assim elas vão continuar se destacando frente aos fundos de renda fixa, pelo fato que não pagam imposto de renda nem taxas de administração. Este fato deverá provocar reduções nos custos das taxas de administração dos bancos para não perderem clientes", avaliou a Associação.

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Fractal mostra que a "falta de conhecimento financeiro" do brasileiro gera "insegurança ao fazer aplicações". Dessa forma, acrescenta o estudo, a tradicional caderneta de poupança lidera a escolha no momento de investir. Aplicações em fundos de renda fixa e ações na bolsa de valores, de acordo com o documento, não são "tão atraentes" para quase metade dos investidores. “Para se ter uma ideia, somente 0,3% dos entrevistados afirmam que investem em fundo de ações, por exemplo”, avaliou Celso Grisi, diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal.

Fonte: G1

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