Ritmo do PIB define avanço da base de agências

08.10.2020

Juntos, os três grandes bancos de varejo – Bradesco, Itaú Unibanco e Santander – vão ter de contratar, só neste ano, 5.500 novos funcionários para colocar as novas agências em funcionamento. O Bradesco contratará 2.500 profissionais, o Itaú precisará de 1.500 funcionários e o Santander, de 1.100. Em todos os casos, a ideia é promover […]

Juntos, os três grandes bancos de varejo – Bradesco, Itaú Unibanco e Santander – vão ter de contratar, só neste ano, 5.500 novos funcionários para colocar as novas agências em funcionamento. O Bradesco contratará 2.500 profissionais, o Itaú precisará de 1.500 funcionários e o Santander, de 1.100. Em todos os casos, a ideia é promover os funcionários já treinados do banco – o que implicará contratação para a base da pirâmide. Mas nem sempre isso é possível, o que significará que muitos profissionais virão do mercado, bastante aquecido.

Esse esforço vem da percepção de que há muita renda a ser aplicada, e em regiões ainda mal atendidas. O presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Claudio Grisi, observa que há quatro variáveis consideradas por um banco para expandir sua rede: o desempenho do PIB regional; nível de emprego; densidade populacional; e distribuição da renda. E o cenário, em todos os casos, mostra-se favorável. A economia e o emprego estão avançando e, o que é melhor, há novos polos de desenvolvimento surgindo, contribuindo para a distribuição de renda.

É o caso dos Estados do Centro-Oeste e do interior do Rio Grande do Sul, beneficiados pela expansão da agroindústria; do litoral do Nordeste, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro; que conta com o impulso da indústria do petróleo; e de Minas Gerais, onde grandes indústrias impulsionam a economia local. "Os bancos têm de ir onde o dinheiro está e é isso que está ocorrendo", explica. "Quem for acanhado vai perder espaço."

Esse discurso sofreu um ajuste na última década. Há pouco mais de dez anos, os bancos consideraram que o caminho do crescimento seria por meio dos canais virtuais, sob influência da onda do "remote bank", lançada por bancos americanos como Citibank e Chase. "Era uma estratégia muito conveniente para reduzir os custos bancários", observa Grisi. No Brasil, chegaram a ser criados dois bancos virtuais, totalmente sem agências: o Banco Direto, do BCN, e o Banco 1, do Unibanco. De fato, diz Grisi, os custos foram reduzidos e o cliente ganhou conveniência, mas pediu mais. "Os bancos perceberam que não havia como abandonar o tratamento pessoal", conta. Esse foi um dos argumentos a favor do surgimento dos ambientes separados para clientes de alta renda, como o Personalité, do Itaú, Prime, do Bradesco, e Van Gogh, do Santander.

O superintendente de expansão de rede do Santander, Robson Rezende, confirma que, em algum momento, "se cogitou que as agências perderiam espaço". E isso levou ao crescimento de canais alternativos, como internet e atendimento telefônico. "Mas é importante ter agências. Os bancos grandes têm que ter escala, em agências e em canais alternativos", afirma. Rezende diz que, quando abre a agência, o foco do banco é conquistar novos clientes e relacionamentos. Mas, além disso, é uma maneira de potencializar os atuais. "É possível fidelizar mais."

Odair Rebelato, diretor-executivo do Bradesco, afirma que o principal foco do banco na expansão das agências são os clientes da classe D "que deve gastar acima de R$ 380 bilhões este ano e é a classe C do futuro". "A baixa renda consome conta corrente, poupança, cartão de crédito, que hoje é quase um título de cidadania e cheque especial. Temos que estar preparados para atender à mobilidade social", afirma. Mas há também preocupação com o cliente de alta renda, para quem serão inauguradas este ano 15 novas agências Prime, que hoje somam 270 unidades.

Cada banco tem seu próprio mapa de expansão – e faz questão de mantê-lo em sigilo. Mas Santander informa que os Estados do Centro-Oeste, onde sua presença ainda é restrita, estão entre as prioridades. Para o Itaú, o Nordeste é a maior foco, enquanto que o Bradesco pretende privilegiar a região Sudeste, "onde há mais renda disponível". (Coloboraram Aline Lima e Fernando Travaglini)

 Valor Econômico
Lucinda Pinto, de São Paulo
18/08/2010
 
A decisão dos bancos de investir em prédios, e não apenas nos canais eletrônicos, para ampliar a rede de atendimento está baseada na convicção de que o cliente quer mesmo ter uma agência por perto, ainda que seja para se sentir mais seguro. Mas só ganhou corpo diante da constatação de que há um universo de potenciais correntistas e investidores a ser conquistado ou melhor aproveitado. Afinal, abrir agências custa caro – segundo o Bradesco, o gasto é de R$ 1,2 milhão só com as instalações físicas – e só é viável se houver perspectiva de crescimento do fluxo de negócios.

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