Durante o manifesto, os dirigentes impediram que os sete funcionários que atuam nesta agência entrassem para trabalhar ou que ainda fossem enviados a alguma das oito agências do Itaú na cidade que abriram suas portas normalmente.
De acordo com os diretores do sindicato, somente na base de atuação de Piracicaba já foram contabilizadas 67 demissões, sendo 22 delas até maio de 2012. Além das demissões, os bancários do Itaú são constantemente vítimas de assédio moral por parte de seus gestores, que não possuem capacidade de relacionamento interpessoal e que não promovem um clima saudável dentro do ambiente de trabalho.
Essa paralisação, promovida pela Contraf-CUT, federações e sindicatos de todo país, denuncia também que a campanha de marketing "Vamos jogar bola" esconde a verdadeira face do banco. Quem vê a propaganda do banco não imagina a dura realidade vivida pelos bancários.
“Na contramão dos resultados positivos, o Itaú demite sem motivos, o que mostra a falta de compromisso do banco com seus funcionários. Onde está o conceito de sustentabilidade da instituição financeira? Sustentabilidade deve começar dentro de casa, com uma postura racional e clara, com a valorização dos trabalhadores”, ressalta o dirigente sindical Ubiratan Campos do Amaral.
Corte de 7.728 empregos em um ano
Mesmo com o lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o Itaú fechou 1.964 postos de trabalho, uma redução de 7,4% em relação ao mesmo período de 2011, o que acumula um corte de 7.728 vagas nos últimos 12 meses. É um processo de demissões em massa, o que é uma vergonha para o banco que vive batendo recordes de lucros no Brasil e quer ampliar a sua atuação na América Latina.
Para dirigente sindical Marcelo Abrahão, as demissões revelam como o Itaú pisa na bola com essa política antissocial da rotatividade de mão de obra. "As demissões têm ocorrido desde 2008, ano da fusão com o Unibanco e afetam, principalmente, funcionários com mais tempo de banco – que tem salários maiores – bancários com deficiência – que entraram por meio da política de cotas para PCD, determinada por lei – e trabalhadores em acompanhamento médico," explica.
Segundo a Pesquisa do Emprego Bancário, feita pela Contraf-CUT e Dieese, com dados do Caged, a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.430,57 em 2011, enquanto que a dos desligados foi de R$ 4.110,26, uma diferença de 40,87%. No ano anterior, a diferença era de 37,60%. "Só quem ganha com a rotatividade é o banco e quem perde são os bancários e a sociedade brasileira", aponta o dirigente sindical.
Diretor do Itaú ganha 280 vezes a mais do que quem recebe piso
Enquanto pratica demissões em massa, o Itaú pagou R$ 7,45 milhões por diretor em 2011. Com isso, a instituição é o único banco que aparece na lista das dez empresas com maior gasto médio por diretor, conforme levantamento do jornal Valor Econômico publicado no dia 31 de maio.
O ranking foi feito com os maiores gastos médios dentro de cada diretoria, com base na documentação apresentada por 206 companhias abertas brasileiras junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, critica a discriminação do Itaú. "Enquanto economiza bilhões de reais com a política de rotatividade, o banco paga milhões de reais para um punhado de diretores".
Essa imensa remuneração anual de um diretor do Itaú supera 208 vezes o ganho de um bancário que recebeu ao longo do ano passado o piso da categoria, segundo cálculo do Dieese. "É uma tremenda injustiça e revela falta de responsabilidade social e de compromisso com o desenvolvimento econômico do país com distribuição de renda e inclusão social", enfatiza Cordeiro.
"Está na hora de o Itaú parar com esse jogo violento das demissões e negociar com seriedade uma política de emprego, contrapartidas sociais e valorização dos trabalhadores do banco", conclui o dirigente da Contraf-CUT.
Notícias Relacionadas
COE do Itaú discute renovação do acordo da CCV e cobra soluções para problemas enfrentados pelos trabalhadores
Reunião também abordou reajuste nos planos de saúde, demandas relacionadas ao programa GERA e fechamento de agências A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu nesta semana com representantes do banco para discutir a renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV) e apresentar demandas relacionadas às condições de trabalho dos […]
Leia maisEleições CASSI 2026 entram na reta final; sindicatos intensificam mobilização pelo voto nas Chapas 2 e 55
Votação ocorre de 13 a 23 de março; sindicatos da base da Feeb SP/MS reforçam campanha junto aos associados do Banco do Brasil A semana que antecede o início da votação das Eleições CASSI 2026 deve ser marcada por mobilização dos sindicatos e entidades representativas dos funcionários do Banco do Brasil. A orientação da Federação […]
Leia maisEleições Economus 2026: votação ocorrerá de 16 de abril a 7 de maio
Feeb SP/MS apoia Lucas Lima para o Conselho Deliberativo e Rodrigo Leite para o Conselho Fiscal do Instituto O Economus divulgou, nesta quinta-feira (5), a lista oficial de candidatos habilitados para as Eleições Economus 2026, que definirão os representantes dos participantes nos Conselhos Deliberativo e Fiscal da entidade. De acordo com a Comissão Eleitoral, todas […]
Leia mais