TST fica ao lado dos bancos no julgamento do divisor bancário

23.11.2016

Com a decisão, hora extra do bancário fica 20% mais barata O Tribunal Superior do Trabalho (TST) ficou do lado dos bancos no julgamento, desta segunda-feira (22), sobre o divisor bancário, que trata da discussão sobre horas extras. Apesar dos bancários terem jurisprudência favorável sobre o tema, a decisão do TST acompanhou o argumento dos […]

Com a decisão, hora extra do bancário fica 20% mais barata

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) ficou do lado dos bancos no julgamento, desta segunda-feira (22), sobre o divisor bancário, que trata da discussão sobre horas extras. Apesar dos bancários terem jurisprudência favorável sobre o tema, a decisão do TST acompanhou o argumento dos bancos. A decisão mudou a jurisprudência do tribunal sobre a questão. Esse foi o primeiro recurso repetitivo da história do TST.

Um ponto central da discussão relativa às horas extras dos bancários era a possibilidade de incluir os sábados e feriados no cálculo do valor do repouso semanal remunerado. Havia oito mil processos suspensos só no tribunal superior. Se o sábado permanecesse incluído, a hora extra ficaria mais cara para os bancos. Pela conta, as 30 horas semanais seriam divididas por seis e então multiplicadas por 30, resultando em 150, número de horas pelo qual o salário do bancário seria dividido. Pela conta dos bancos, que exclui o sábado, o montante seria dividido por 180 e aplicado o chamado "divisor 180".

A partir de 2012, a Súmula nº 124 da Corte estabeleceu que o divisor aplicável para o cálculo das horas extras do bancário submetido à jornada de seis horas é de 150 e de 200 para os submetidos a oito horas. Isso se houvesse ajuste individual expresso ou coletivo no sentido de considerar o sábado como dia de descanso remunerado.

Para o representante da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB-SP/MS) Mauri Souza, o objetivo dos bancos com o processo era tornar a hora extra do bancário 20% mais barata. “Os bancos estiveram presente em todo o processo para fazer lobby junto aos juízes. E lamentavelmente a decisão resulta em mudança de entendimento do Tribunal Superior do Trabalho em detrimento de um direito há muito reconhecido pelos Tribunais brasileiros e, ensejará uma diferenciação injustificável entre o valor da hora extra do bancário em comparação com o valor da hora extra de outras categorias.”

No mérito, dos 14 ministros da Subseção, dez decidiram pelo "divisor 180", dividindo-se entre os votos do relator, ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, e do revisor, ministro João Oreste Dalazen. Havia um ponto de divergência entre eles, quanto à mudança da natureza jurídica do sábado pelas convenções. Coube ao presidente, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho desempatar.

Prevaleceu o entendimento de que as convenções coletivas dos bancários não deram natureza de repouso semanal remunerado ao sábado. O relator foi vencido nesse ponto. Em seu voto, defendia que havia natureza de repouso, mas isso não afetaria o divisor bancário. Já o revisor considerava que o sábado é dia útil não trabalhado e não remunerado.

A Súmula nº 124 foi aprovada em 2012 durante a chamada 2ª Semana do TST e, portanto, se trata de jurisprudência recente. Além disso, a Súmula foi adotada levando em conta inúmeros julgados que reconheciam que as normas coletivas contidas na Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários atribuíam ao sábado a condição de Descanso Remunerado.

A assessoria jurídica do movimento sindical estuda medidas cabíveis para questionar a validade da decisão, considerando a competência ou não da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) em decidir de forma a, na prática, modificar ou revogar Súmula Jurisprudencial.

A tese fixada tem efeito vinculante e deve ser aplicada a todos os processos que tratam do mesmo tema, conforme a modulação de efeitos também decidida na sessão. Assim, os recursos contra decisões que coincidem com a orientação adotada terão seguimento negado. Caso seja divergente, a decisão deverá ser novamente examinada pelo Tribunal Regional do Trabalho de origem. Somente no TST, existem mais de 2.700 processos que discutem o divisor bancário. Nas Varas do Trabalho, o número se aproxima de nove mil.

Fonte: Contraf-CUT

Notícias Relacionadas

Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul entrega minuta de reivindicações à Fenaban

A Federação dos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb SP/MS) entregou nesta terça-feira (18) à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a minuta de reivindicações que servirá de base para a Campanha Nacional de 2024, que visa a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. A entrega aconteceu em São Paulo, […]

Leia mais

Comando Nacional dos Bancários entregará minuta de reivindicações à Fenaban no dia 18

No mesmo dia, trabalhadores do BB e da Caixa farão a entrega das minutas específicas de cada banco O Comando Nacional dos Bancários entregará à Federação Nacional do Bancos (Fenaban), na próxima terça-feira (18), a minuta de reivindicações que servirá de base à Campanha Nacional de 2024, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho […]

Leia mais

Bancários aprovam minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2024

Documento, que servirá de base à renovação da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, será entregue à Fenaban no próximo dia 18 Bancárias e bancários, de todo o Brasil, aprovaram, em assembleias realizadas nesta quinta-feira (13), a minuta de reivindicações que servirá de base à Campanha Nacional de 2024, para a renovação da Convenção Coletiva […]

Leia mais

Sindicatos filiados